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CIRURGIA DO ESÔFAGO

Luciana Moura Campodonio Por Luciana Moura Campodonio em

O esôfago está localizado ao lado esquerdo da traquéia e possui a função de transportar alimento, água e saliva da faringe ao estômago. Além disso, o esôfago é dividido em esôfago cervical e esôfago torácico.

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A cicatrização esofágica é um pouco complicada, por causa do esôfago não ter a camada de serosa, e por possuir a camada adventícia, com pouca deposição de colágeno de fibrina e pouca irrigação, por isso é bastante comum a ocorrência de deiscência de sutura.

Corpos estranhos (objetos inanimados que podem obstruir o lúmem do esôfago em graus variados, como ossos, objetos metálicos, bolas, cordas, e etc), possuem uma casuística muito grande na cirurgia esofágica. A ocorrência de obstruções também são comum e neoplasias podem acontecer, porém são mais raras. Os locais mais comuns de ocorrer obstrução esofágica é na entrada do tórax (pois nessa região o esôfago é um pouco mais estreito), base do coração (o esôfago passa em cima do coração) e região epifrênica (região que o esôfago passa pelo diafragma).

A endoscopia é de grande ajuda e auxilio para a retirada de corpos estranhos esofágicos, principalmente aqueles que estão localizados na entrada do tórax. Quando fica localizado na região epifrênica pode-se empurrar o corpo estranho para o estômago dependendo do tamanho do objeto, ou então abrir o abdômen e retirar o corpo estranho com o auxílio de uma pinça.

FISIOPATOLOGIA

Quando há presença de corpo estranho no esôfago, o animal pode apresentar:

  • Deglutição: a persistência de um corpo estranho no esôfago estimula a atividade peristáltica esofágica;
  • Necrose: se o corpo estranho causar pressão excessiva no esôfago ou permanecer ali por um tempo (dias) pode provocar a necrose devido a compressão ou distensão do órgão;
  • Esofagite: ocorre porque o animal acaba vomitando muitas vezes, e devido ao ácido do estômago, lesiona o esôfago, gerando a inflamação;
  • Regurgitação: ocorre, pois o animal se alimenta e como está com obstrução, a comida não consegue passar e então o animal acaba regurgitando o alimento;
  • Redução do peristaltismo: a redução do peristaltismo pode levar a formação do mega-esôfago;
  • Pneumonia por aspiração: o animal apresenta vômito e pode acabar aspirando o vômito;
  • Perfuração de grandes vasos;
  • Fistulação adjacente: muitas vezes pode ser observado a ocorrência de fistulação do alimento para a região do pescoço.

Pontos chaves para a suspeita de corpo estranho esofágico:

  • Se o animal tem acesso à rua;
  • Hábito de revirar o lixo;
  • Costume de morder tubos e outros objetos pequenos;

PREDISPOSIÇÃO

A ocorrência de corpos estranhos esofágicos ocorrem:

  • em animais que comem indiscriminadamente;
  • raças pequenas são mais predispostas (devido ao esôfago ser menor);
  • em gatos é mais comum corpos estranhos lineares (fios, barbantes e agulhas).
  • Podem acometer animais de qualquer idade, porém são mais comuns nos três primeiros anos de vida.

SINAIS CLÍNICOS

  • Dar patadas na boca;
  • Disfagia (dificuldade para se alimentar);
  • Regurgitação (alimento não digerido);
  • Náuseas (devido ao estímulo do peristaltismo);
  • Salivação excessiva (pois devido a dor os animais podem não deglutir a saliva);
  • Mímica de vômito (contrai o abdômen e só apresenta baba e não vômito);
  • Inapetência;
  • Inquietação;
  • Depressão;
  • Desidratação (se estiver muito desidratado deve-se tratar a desidratação e depois sim ver qual será o melhor procedimento para retirar o corpo estranho);
  • Perda de peso;
  • Inflamação adjacente;
  • Angústia respiratória;
  • Dispnéia (pode ser secundária a aspiração, por isso é importante radiografar o pulmão);
  • Efusão pleural (pode ser secundária a excesso de esforço pela mímica do vômito).

Os sinais clínicos variam bastante, dependendo da duração, localização e do tipo de obstrução.

DIAGNÓSTICO

Corpos estranhos radiopacos podem ser vistos no exame de raio-x. O diagnóstico também pode ser feito através da endoscopia.

TRATAMENTO

O tratamento para corpos estranhos esofágicos pode ser feito através de:

  • Endoscopia/Esofagoscopia: método de diagnóstico e de tratamento dependendo da localização do corpo estranho. Se o corpo estranho for recente e não estiver causando trauma, o tratamento de eleição é a endoscopia;
  • Esofagotomia: a esofagotomia é a abertura cirúrgica do esôfago para a retirada de um corpo estranho ou retirada de tumor. É feito quando se tem uma pequena perfuração esofágica por causa do corpo estranho;
  • Esofagectomia: a esofagectomia é a ressecção de um segmento do esôfago. Se houver necrose e desvitalização não adianta se fazer a esofasgoscopia tem que se fazer a esofagectomia.

Para saber mais sobre as técnicas operatórias citadas nesse post acesse: http://www.resumaodeveterinaria.com.br/cirurgia-do-aparelho-digestorio/

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