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Descorna em bovinos

Jéssica Cristine Por Jéssica Cristine em

A descorna em bovinos adultos é feita devido a aquisição de um animal que tenha chifres e, para facilitar o manejo, deseja-se retirar esses chifres ou quando o animal fratura o chifre e deve retirá-lo. Fora essas situações, a descorna em animais adultos é uma falha de manejo, pois se quer mochar um animal, deve fazer quando o mesmo é bezerro, pois ele possui somente o botão do chifre, que deverá ser queimado e retirado para impedir a formação do chifre. Esse procedimento é bem mais simples e melhor para o animal, pois a descorna é um procedimento mais cruento, que sangra bastante e causa estresse ao animal devido a contenção e tempo em decúbito. Outro aspecto importante é que a descorna, assim como qualquer outra cirurgia, deve ser feita por um médico veterinário qualificado para tal procedimento.
Para realizar a descorna, o animal deve ser contido com decúbito lateral direito, para que o rúmen fique voltado para cima, permitindo que o veterinário veja se há algum aumento de volume durante a cirurgia. Se o animal ficar em decúbito esquerdo e tiver timpanismo, não será possível identificar e resolver o problema, além do que o rúmen será pressionado por outras estruturas e sofrerá hipóxia, podendo causar maiores complicações ao animal e até a morte.
Após a contenção, deve ser feito a tricotomia e lavagem do local com clorexidine. Em seguida, faz o bloqueio anestésico nos nervos que inervam a região para que o animal não sinta dor. Vale ressaltar que também deve ser administrado um sedativo no bovino, como xilazina, para que o animal fique mais calmo. Com a anestesia local feita, faz-se antissepsia do local com clorexidine e álcool.
A técnica consiste em fazer uma incisão com o bisturi em toda a circunferência do corno, exatamente na transição do corno com a pele. Essa incisão deve ser bem ao redor do chifre para permitir o fechamento da pele, pois em caso de animais mais velhos ou com a base do corno maior, se perder pele nessa incisão corre o risco de não conseguir fechar posteriormente.
Após a incisão ao redor do chifre, faz uma incisão de aproximadamente uns 6 cm da base do chifre em direção ao outro chifre, na crista dorsal da cabeça. Em seguida, pinça o vértice que forma entre as incisões e com o bisturi divulsona a pele até o ponto médio entre as incisões. Essa divulsão de pele deve ser feito nos dois vértices que são formados.

Depois deve ser feita outra incisão da base do chifre em direção ao olho. Essa incisão deve ser bem superficial, pois é onde há mais sangramento. Se sangrar muito, deve-se pressionar uma depreção que fica na lateral do olho, por onde passam os principais vasos que irrigam o corno. Após a incisão, divulsiona a pele com o bisturi, apresentando a base do chifre. O corno deve ser serrado bem na base e em uma angulação correta para ficar igual ao lado contralateral.
Após serrar o corno, pinça as duas bordas de pele com pinça Allis e cruza as pinças para ver se irá fechar. Se não fechar deve serrar mais o corno. Para melhorar esteticamente, retira-se os vértices de pele que formam-se nas bordas. Faz um ponto de apoio bem no meio e começa a suturar em padrão festonado ou reverdin, pois é uma sutura mais firme. Quando chegar ao meio, o ponto de apoio feito anteriormente já estará frouxo, portanto deve ser retirado e continuar a sutura até fechar toda a ferida cirúrgica. Repete o procedimento no corno contralateral.
O procedimento deve ser feito o mais rápido possível para que o animal não passe muito tempo deitado, pois pode machucar os membros.

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