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Doença Degenerativa Articular do Membro Torácico

Mariana Bueno Refundini Por Mariana Bueno Refundini em

A doença articular degenerativa (DAD), ou osteoartrite, é uma degeneração não inflamatória e não infecciosa da cartilagem articular. Ela pode ser classifica em primária, que é um distúrbio do desenvolvimento, onde há uma degeneração por causas desconhecidas e, secundária, que ocorre por anormalidades que causam uma instabilidade na articulação ou por sobrecarga na cartilagem.

A articulação do cotovelo é a mais complexa, e possui predisposição a distúrbios como:

  • Não união do processo ancôneo (NUPA)
  • Fragmentação do processo coronoide medial
  • Não união do epicôndilo medial umeral
  • Osteocondrite dissecante (OCD)

Quando um animal possui uma dessas doenças, provavelmente ele irá desenvolver outra associada. A incidência disso ocorrer é de 50%.

Acomete cães de pequeno, médio e grande porte, sendo este o mais predisposto. As raças mais frequentes são: Rotweiller, Golden Retriever, Labrador e Mastife. Desenvolvem principalmente por causa do alto peso que eles possuem no tórax. Podendo também ter origem hereditária em Labrador retriever e Montanhês de Berna.

Não união do processo ancôneo (NUPA)

É a lesão mais comum, tem ocorrência de 18 a 30%. Acomete cães de raça grandes ou gigantes e em fase de crescimento, como Montanhês de berna, Golden retriever, Mastife, Terra nova, Teckel e Pastor Alemão.

O processo anconeal não forma uma união óssea com a metáfise ulnar proximal. Por não estar unido, a articulação vai ficar raspando em outros lugares, levando à um processo inflamatório que acarreta em uma degeneração articular.
Esse processo só se funde à ulna por volta de 4 a 5 meses, então não pode ser dado um diagnóstico antes desta idade. Se não houver fusão até esse período, ela não ocorrerá espontaneamente.

Uma das teorias para a ocorrência da NUPA é de que ela pode decorrer de uma osteocondrose, onde não houve uma ossificação correta do processo anconeal à ulna, levando a um espessamento, necrose da cartilagem e formação de fissuras. A sobrecarga de peso sobre essa cartilagem também causa uma falha na união.

Sinais Clínicos

  • Os primeiros sinais clínicos da doença aparecem entre 5 a 12 meses de idade.
  • O animal pode apresentar claudicação unilateral ou bilateral, mas geralmente é bilateral, ocorrendo uma piora após a realização de exercício físico.
  • Os proprietários normalmente relatam uma rigidez matinal e após isso períodos de descanso.

Exame Físico

No exame físico os animais podem apresentar:

  • Atrofia muscular: geralmente o membro mais acometido é mais atrofiado do que o membro menos acometido ou que tenha menor lesão articular.
  • Dor durante a manipulação da articulação, principalmente quando palpa o processo anconeal.
  • Diminuição da amplitude, onde o animal tem dificuldade para estender e flexionar o membro, devido a isso ele fica com o andar rígido ou forçado.
  • Se houver osteoartrite ele irá apresentar crepitação

Diagnóstico

  • Radiográfico: são feitas projeções mediolateral, craniocaudal e lateral. No exame de raio x dá para ver a linha de crescimento e esclerose do osso (mais claro). A doença é melhor visualizada na incidência lateral flexionada.
  • Artroscopia: serve para avaliar a presença de lesões simultâneas no compartimento medial da articulação do cotovelo. Com ela é possível visualizar e tratar a lesão, removendo o processo ancôneo.
  • Tomografia Computadorizada: é um dos principais exames para diagnosticar essa doença.
  • Ressonância Magnética

Tratamento Clínico

O tratamento é utilizado para tratar cães com osteoartrite estabelecida.

Há 5 princípios básicos para o tratamento clínico das afecções articulares que consistem em: controle de peso, suplementação nutricional, moderação de exercícios, terapia de reabilitação física e tratamento com fármacos anti-inflamatórios não esteroides.

  • Opióide:

    • Tramadol: para tirar o animal de uma crise de dor crônica. 4 a 6mg/kg/BID por 7 dias.
    • Dipirona: 25mg/kg/BID
  • Ácidos graxos - ômega 3: o ômega atua diretamente nas células doentes da cartilagem, modulando ela e transcrevendo para o RNA mensageiro.

    • Ocorre a substituição do ácido araquidônico, que é o principal agente que promove a degeneração articular, por ácido eicosapentaenoico, que possui ação anti-inflamatória, com isso diminui a dor do animal.
    • Favorecem a perda de peso, mas não é só o ômega 3 que ajuda na perda de peso ou a modelar o processo inflamatório, precisa de uma junção de fatores.
  • AINE's: fazem a redução de mediadores pró-inflamatórios (tromboxanos, prostaglandinas, prostaciclinas e radicais livres).

    • Meloxicam: 0,1 ou 0,2 mg/kg/SID
    • Firocoxibe: 5mg/kg/SID
    • Carprofeno: faz 2,2 mg/kg/BID para curar a crise e após faz 4,4 mg/kg/SID.
  • Glicosaminoglicanos Polissulfatados

    • Ação anti-inflamatória
    • Polissulfato de pentosan: 4mg/kg/IM/duas vezes por semana.
  • Repouso
  • Exercícios de baixo impacto: hidroterapia
  • Acupuntura

Nutracêuticos:

  • Condroitina: em altas doses e por tempo prologado ela possui ação anti-inflamatória, ajuda na cicatrização da cartilagem (forma um tecido fibrocartilaginoso).
  • Glicosamina

Se o animal for obeso, tem que fazer uma reeducação alimentar para ele perder peso e, só assim, começa a utilizar condroitina. Dá à ele uma ração de alta proteína e de baixa caloria.

Mucopolissacarídeos

  • Polissulfato Sódico de Pentosan (PSP)

    • Ajuda na proteção da cartilagem
    • Estimula a síntese de hialurônico que é uma enzima inflamatória que impede a degeneração articular.
    • Dose: 3 mg/kg/SC uma vez por semana.
  • Diacereína (Artrodar): possui ação anti-inflamatória e minimiza a degeneração da cartilagem. Dose de 2mg/kg BID e depois da crise faz SID.

Tratamento Cirúrgico

  • Pode ser realizada uma osteotomia (dissecção) do processo ancôneo se a NUPA for diagnosticada antes de uma osteoartrite severa. O processo anconeal pode ser fixado com um parafuso compressivo LAG.
  • Osteotomia da ulna com distração dinâmica, é feita para aliviar a pressão no processo anconeal e permite a cicatrização espontânea do fragmento da ulna em cães jovens. Pode ser utilizada junto à fixação do processo anconeal com parafuso. Serra a ulna, coloca um pino intramedular e um parafuso LAG.

Estes procedimentos só são realizados em pacientes de até 1 ano de idade.

FRAGMENTAÇÃO DO PROCESSO CORONOIDE MEDIAL (FPCM)

A FCPM é a principal lesão a levar ao processo de displasia de cotovelo. Ela á mais comum em cães machos e de grande porte como Labrador e Rottweiler.

Ocorre como a separação de uma pequena porção do processo coronoide medial da ulna, por sobrecarga, causando claudicação e doença articular degenerativa e, por má formação óssea onde há um maior desenvolvimento da ulna do que do rádio durante o processo de crescimento, que causa o enfraquecimento dessas estruturas levando à fragmentação e fissuras.
Essas fissuras podem causar dor e claudicação e evoluir para fragmentação e, este fragmento solto pode causar um desgaste da cartilagem do côndilo umeral.

Sinais Clínicos

  • Os primeiros sinais começam com o animal ainda jovem, em torno de 5 a 9 meses de idade.
  • Ele apresenta claudicação do membro dianteiro, que piora após o exercício e normalmente apresenta rigidez matinal, e após isso tem um período de descanso.

Exame Físico

  • Normalmente o animal apesenta claudicação de um membro só, mas se for bilateral, a marcha ficará mais rígida ou forçada, pois ele tende a dar passos mais curtos.
  • Faz a palpação da articulação, em cima da cabeça umeral e o animal sente muita dor.
  • Pode apresentar atrofia muscular associada à dor crônica e a diminuição da utilização do membro.
  • A dor e hiperextensão da articulação do cotovelo são uns dos sinais mais precoces de FPCM. A redução na capacidade de flexão do cotovelo é indicativo de uma osteoartrite grave onde pode sentir uma crepitação ao flexionar e estender o cotovelo.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito por suposição, a partir da presença de osteoartrite.

  • Radiografia: faz projeções cranio-caudal, lateral flexionada e estendida. Deve tirar dos dois lados, pois é comum ter acometimento bilateral. Um dos primeiros sinais radiográficos observados é a esclerose e achatamento do processo coronoide.

  • Artroscopia: é a ferramenta mais valiosa para o diagnóstico. Ela permite a visualização e avaliação direta da superfície cartilaginosa. Dá para ver claramente uma fragmentação, exceto quando esta é incompleta e não atinge a cartilagem.

  • Tomografia Computadorizada: auxilia na identificação, podendo ser utilizada para avaliar outros aspectos das superfícies articulares como incongruências e defeitos. As imagens na tomo são mais precisas que no raio x. Tem como vantagem poder diagnosticar uma fragmentação incompleta que não atinja a cartilagem, diferente da artroscopia.

  • Ressonância Magnética: permite identificar facilmente alterações na medula óssea, osso subcondral, cartilagem e nos tecidos que envolvem. Possui a vantagem de permitir a diferenciação de estruturas articulares e ósseas.

  • Artrotomia exploratória: abre a articulação do cotovelo medialmente e retira o fragmento.

Tratamento Clínico

  • AINE's: fazem a redução de mediadores pró-inflamatórios (tromboxanos, prostaglandinas, prostaciclinas e radicais livres).

    • Meloxicam: 0,1 ou 0,2 mg/kg/SID
    • Firocoxibe: 5mg/kg/SID
    • Carprofeno: faz 2,2 mg/kg/BID para curar a crise e após faz 4,4 mg/kg/SID.
  • Opióides:

    • Tramadol: para tirar o animal de uma crise de dor crônica. 4 a 6mg/kg/BID por 7 dias.
    • Dipirona: 25mg/kg/BID
  • Exercícios de baixo impacto: hidroterapia

  • Massagem
  • Eletroestimulação
  • Acupuntura
  • Controle de peso: se o animal for obeso, tem que fazer uma reeducação alimentar para ele perder peso. Dar a ele uma ração de alta proteína e de baixa caloria.

Nutracêuticos

  • Glicosamina
  • Condroitina: em altas doses e por tempo prologado ela possui ação anti-inflamatória, ajuda na cicatrização da cartilagem (forma um tecido fibrocartilaginoso).
  • Diacereína (Artrodar): possui ação anti-inflamatória e minimiza a degeneração da cartilagem. Dose de 2mg/kg BID e depois da crise faz SID.

Mucopolissacarídeos

  • Polissulfato Sódico de Pentosan (PSP): ajuda na proteção da cartilagem e estimula a síntese de hialurônico que é uma enzima inflamatória que impede a degeneração articular. Dose de 3 mg/kg/SC uma vez por semana.

Os pacientes devem ser tratados de forma conservadora e deve ser removido o fragmento, pois quanto mais tempo ele ficar solto, maior será a lesão na cartilagem. Quando o tratamento conservador for escolhido deve-se focar nos 5 princípios do tratamento clínico.

Tratamento Cirúrgico

  • Exploração articular com remoção do fragmento: é realizada em animais com osteoartrite avançada e claudicação persistente, que não foi amenizada com o tratamento clínico. Deve ser estimulada em pacientes jovens. A retirada do fragmento é feito por artroscopia ou artrotomia aberta. A artroscopia possibilita uma melhor visualização da articulação, é menos invasiva e possui menor morbidade no pós-operatório.

  • Se nessas duas técnicas não for visualizado um fragmento, pode ser realizado a coronoidectomia subtotal, com base na suspeita de fissuras e fragmentação incompleta do processo coronoide.

  • Outra possibilidade é a osteotomia da ulna, esta pode diminuir as forças transarticulares entre o côndilo umeral e o processo coronoide.

  • Quando há o diagnóstico precoce, deve associar o tratamento clínico ao cirúrgico, porém, se o diagnóstico for tardio, o animal deve ser tratado apenas clinicamente.

Prognóstico

Quando há apenas fragmentação e a cartilagem não foi atingida, o prognóstico após a remoção do fragmento é de boa à excelente.
Em casos com dano à cartilagem, o prognóstico é reservado devido à progressão da osteoartrite.

OSTEOCONDRITE DISSECANTE DO CÔNDILO UMERAL (OCD)

A OCD é a separação entre a região que sofreu ossificação da cartilagem do osso subjacente. É uma doença frequente no ombro, cotovelo, joelho, mas o ombro (escapulo umeral) é o mais comum.
A progressão da doença ocorre quando há separação ou fratura da cartilagem não ossificada, e então decorre uma efusão, sinovite, edema subcondral, esclerose e doença articular degenerativa (DAD), que causam dor e claudicação. Essa falha na adesão, leva a um rompimento na articulação e formação de um retalho (flap) pediculado (possui base aderindo ele).

  • Há a exposição do osso subcondral
  • Os primeiros sinais clínicos aparecem entre 5 a 8 meses de idade.
  • É mais comum em cães de porte grande como Rotweiller, que possuem um crescimento muito rápido, mas cães de porte médio, grande e gigante podem ter. Raramente é diagnosticada em gatos ou cães de pequeno porte e os machos são mais afetados, podendo estar relacionado com o maior peso corporal.
  • Alguns dos fatores que podem levar à essa lesão são: dietas muito energéticas ou com elevada porcentagem de fósforo e cálcio, crescimento rápido, exercício intenso, alto peso ao nascimento, herança genética e trauma.

Sinais Clínicos

  • Normalmente apresentam claudicação de moderada a grave de duração variável. Pode piorar devido à atividade física ou repouso prolongado, quando animal vai levantar, andar, trotar.
  • Pode ter acometimento unilateral ou bilateral, neste caso os animais relutam a permanecer em pé ou se mover.
  • Diminuição de amplitude, dor e crepitação.

Diagnóstico

  • Raio x: o exame radiográfico é a base para o diagnóstico. Deve sempre fazer radiografia contralateral, pois a claudicação é unilateral, mas geralmente o acometimento é bilateral. As lesões podem ser identificadas nas projeções lateral e craniocaudal. Pode ser observado uma irregularidade, depressão da cabeça umeral, mas para ter certeza pode fazer um raio x contrastado.
  • Ultrassonografia também são eficazes no diagnóstico de OCD.
  • Artroscopia
  • Tomografia: é o método mais fácil de diagnosticar
  • Ressonância magnética

Tratamento

  • Repouso
  • Hidroterapia: diminui o impacto, ajuda o animal a usar o membro e a não degenerar.
  • Analgesia
    • Tramadol: 4 a 6mg/kg/BID.
    • Codeína
  • AINE's

    • Meloxicam: 0,1 ou 0,2 mg/kg/SID
    • Firocoxibe: 5mg/kg/SID
    • Carprofeno: faz 2,2 mg/kg/BID para curar a crise e após faz 4,4 mg/kg/SID.
  • Mucopolissacarídeos (PSP): reduz a degeneração da cartilagem e promove a sua reparação. Dose de 3mg/kg/SC uma vez por semana

Nutracêuticos

  • Glicosamina
  • Condroitina: em altas doses e por tempo prologado ela possui ação anti-inflamatória, ajuda na cicatrização da cartilagem (forma um tecido fibrocartilaginoso).
  • Diacereína (Artrodar): possui ação anti-inflamatória e minimiza a degeneração da cartilagem. Dose de 2mg/kg BID e depois da crise faz SID.

Tratamento Cirúrgico

  • Retirada do flap e desbridamento do osso subcondral para estimular o crescimento de fibrocartilagem.
  • Artrotomia medial: é a abertura da articulação.
  • Artroscopia: fornece uma exposição ideal para a visualização e tratamento de lesões OCD e pode ser realizada bilateralmente com um mínimo de morbidade.
  • Transferência de enxertos osteocondrais autólogos (TEAO): envolve a recolha de um ou mais enxertos de um osso coberto por cartilagem saudável, proveniente de uma superfície sem contato de outra articulação e implantação deste em uma cavidade criada no local do defeito.
  • Lavagem: deve sempre lavar muito bem a cartilagem até sair tudo, pois contém muitos fragmentos. Faz a lavagem com soro fisiológico.

Prognóstico

O prognóstico quanto à função normal do membro é favorável. A maioria dos cães se tornam saudáveis após a cirurgia. Uma DAD pode se desenvolver, apesar da ausência de claudicação.

OSTEOCONDRITE DISSECANTE DO ÚMERO PROXIMAL

A OCD, onde um retalho de cartilagem é levantado da superfície articular, é uma manifestação de uma síndrome geral denominada osteocondrose, que é um distúrbio na ossificação endocondral, levando à retenção de cartilagem. Essas porções destacadas da cartilagem são chamadas de fragmentos articulares e estes podem ser pediculados ou soltos. Pode ocorrer uma fissura da cartilagem, causando a protusão de um pedaço solto de cartilagem na articulação, ou a cartilagem pode se soltar completamente do osso.

Começa com uma falha na ossificação subcondral que leva ao espessamento da cartilagem (osteocondrose). A cartilagem em desenvolvimento é nutrida pelo líquido sinovial e depois pela vascularização através do osso subcondral, então esse aumento da espessura pode levar à condrócitos desnutridos e a necrose. A perda desses condrócitos pode levar a uma fissura e consequentemente formará um retalho de cartilagem. Esses fragmentos juntamente com os mediadores inflamatórios irão atingir o líquido sinovial, começando uma inflamação articular e uma DAD.

A OCD não causa sinais clínicos até a formação desses retalhos, que podem se alojar nas articulações e aumentar de tamanho com a calcificação.

Ela ocorre nos ombros, cotovelo, joelhos e jarretes de cães imaturos, de raças grandes e gigantes. Raramente é diagnosticada em gatos ou cães de pequenos porte e machos são mais afetados.

Sua causa é desconhecida, mas em cães jovens em fase de crescimento pode ocorre por falhas de manejo, causas genéticas e nutricionais. Pode ter fatores de risco como idade, sexo, raça, crescimento rápido e excesso de nutrientes como o cálcio ou alimentação de baixa qualidade.

Sinais Clínicos

  • Se iniciam entre 4 e 8 meses
  • Normalmente o acometimento é bilateral, mas o animal pode apresentar claudicação unilateral. Esta claudicação piora após realizar exercício físico e melhora após o animal permanecer em repouso.
  • Apresenta dor na articulação
  • Espessamento da cápsula
  • Osteocondrite local

Exame Físico

O ombro deve ser palpado e deslocado por meio de uma amplitude total de movimento.
Os animais normalmente apresentam uma atrofia muscular e dor quando é feito o movimento de extensão ou flexão do ombro.

Diagnóstico

  • Raio x: devem ser tiradas projeções laterais das articulações de ambos os lados. As projeções craniocaudais não contribuem para o diagnóstico, mas são úteis para localizar um fragmento. O sinal radiográfico mais precoce é o achatamento do osso subcondral da cabeça caudal do úmero. Nos casos crônicos são observados fragmentos articulares.
  • Artroscopia
  • Ultrassonografia
  • Tomografia
  • Ressonância Magnética

Tratamento clínico

O tratamento conservador pode fornecer benefícios em curto prazo, mas a resolução para a claudicação em longo prazo requer a realização de artroscopia ou artrotomia.

No tratamento clínico ou conservador podem persistir a claudicação, atrofia muscular, migração do retalho e outras complicações.

Tratar o peso corporal em cães com sobrepeso irá ajudar a diminuir a carga nas articulações, reduzindo a osteoartrite.

  • Repouso
  • AINE's: fazem a redução de mediadores pró-inflamatórios (tromboxanos, prostaglandinas, prostaciclinas e radicais livres).
    • Meloxicam: 0,1 ou 0,2 mg/kg/SID
    • Firocoxibe: 5mg/kg/SID
    • Carprofeno: faz 2,2 mg/kg/BID para curar a crise e após faz 4,4 mg/kg/SID.
  • Opioides:

    • Tramadol: para tirar o animal de uma crise de dor crônica. 4 a 6mg/kg/BID por 7 dias.
    • Dipirona: 25mg/kg/BID
  • Condroitina: em altas doses e por tempo prologado ela possui ação anti-inflamatória, ajuda na cicatrização da cartilagem (forma um tecido fibrocartilaginoso).

  • Polissulfato Sódico de Pentosan (PSP): ajuda na proteção da cartilagem e estimula a síntese de hialurônico que é uma enzima inflamatória que impede a degeneração articular. Dose de 3 mg/kg/SC uma vez por semana.
  • Hidroterapia

Tratamento Cirúrgico

  • Remoção do fragmento e curetagem (raspagem) das margens do defeito ósseo, para assegurar a remoção de toda a cartilagem afetada. A articulação deve ser explorada cuidadosamente e lavada em abundância para que se possa identificar e remover todos os pedaços desalojados de cartilagem.
  • Artrotomia medial: é a abertura da articulação.
  • Artroscopia: fornece uma exposição ideal para a visualização e tratamento de lesões OCD e pode ser realizada bilateralmente com um mínimo de morbidade.

Prognóstico

O prognóstico quanto à função normal é favorável. Após a cirurgia, a maioria dos cães se tornam saudáveis. Apesar desses animais não apresentarem mais claudicação, eles podem desenvolver uma DAD.

DOENÇA DO COMPARTIMENTO MEDIAL (DCM)

Se refere ao desgastamento da cartilagem limitada ao aspecto medial da articulação do cotovelo. As regiões mais afetadas são a porção medial do processo coronoide, o aspecto distal medial do côndilo umeral e a porção medial da cabeça do rádio.

Sua causa é desconhecida, mas acredita-se que deve-se à herança genética ou sobrecarga mecânica ou incongruência da articulação do cotovelo. Possui predisposição por cães de raça grande, mas ela pode ser diagnosticada em cães de qualquer tamanho.

Normalmente é diagnosticada em cães de até 6 meses, sendo caracterizada pela associação de DCM e OCD, secundário à ulna curta, levando ao rádio curto.

Sinais Clínicos

  • O animal possui claudicação unilateral ou bilateral do membro que apresenta uma piora após o exercício e pode ser aguda ou crônica.
  • Geralmente os donos se queixam de que o animal apresenta uma rigidez matinal e após isso descansa.
  • Dor ocorre em movimentos de flexão e extensão do membro.

Exame Físico

  • No exame físico é evidenciada a claudicação de um ou ambos os membros. A marcha pode aparentar estar rígida ou forçada, se a claudicação for bilateral, pois o animal anda em passos curtos.
  • Ao palpar o animal, no compartimento medial na inserção do músculo bíceps medial, pode observar uma atrofia muscular simétrica ou assimétrica, associada à dor crônica e diminuição na utilização do músculo.
  • Promover flexão e rotação medial no membro, onde será observado uma crepitação.
  • Se apresentar uma redução na capacidade de flexão do cotovelo, indica que o animal apresenta uma osteoartrite grave.
  • A manipulação da articulação geralmente causa dor ao animal.

Diagnóstico

  • Raio x: pode ser visualizado danos graves à cartilagem, presença de osteófitos associados ao processo coronoide e à ponta do ancôneo.
  • Artroscopia: é o meio diagnóstico mais definitivo para DCM. Possibilita a visualização e avaliação direta da cartilagem. É melhor que a cirurgia aberta pois permite um exame menos invasivo de uma porção maior da articulação e são melhor observadas a gravidade do dano à cartilagem.
  • Tomografia

Tratamento Clínico

O tratamento médico deve focar nos 5 princípios do tratamento clínico da osteoartrite. Terapia com células tronco também pode ser realizada, injeções de hialuronato e injeções de GAG-polissulfatados.

  • AINE's: fazem a redução de mediadores pró-inflamatórios (tromboxanos, prostaglandinas, prostaciclinas e radicais livres).

    • Meloxicam: 0,1 ou 0,2 mg/kg/SID
    • Firocoxibe: 5mg/kg/SID
    • Carprofeno: faz 2,2 mg/kg/BID para curar a crise e após faz 4,4 mg/kg/SID.
  • Opióides

    • Tramadol: para tirar o animal de uma crise de dor crônica. 4 a 6mg/kg/BID por 7 dias.
    • Dipirona: 25mg/kg/BID
  • Exercício de baixo impacto: hidroterapia, pois ela diminui o impacto, ajuda o animal a usar o membro e a não degenerar.

  • Repouso
  • Perda de peso: se o animal for obeso, tem que fazer uma reeducação alimentar para ele perder peso e agredir menos a articulação. Dá à ele uma ração de alta proteína e de baixa caloria.
  • Condroitina: em altas doses e por tempo prologado ela possui ação anti-inflamatória, ajuda na cicatrização da cartilagem (forma um tecido fibrocartilaginoso).

Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico possui a intenção de diminuir a dor e inflamação das articulações ao reduzir o estímulo das terminações nervosas localizadas no osso subcondral. Isso pode ser realizado por:

  • Coronoidectomia subtotal: consiste na remoção do coronoide. Ela pode diminuir a dor associada à doença de compartimento medial ao remover a região danificada do coronoide.
  • Osteotomia do úmero, rádio e ulna: possuem a intenção de diminuir as cargas transarticulaes entre o compartimento medial da articulação do cotovelo.
  • Prótese de cotovelo: substitui a superfície de suporte. É um procedimento bastante avançado e deve ser realizado somente por cirurgiões experientes.
  • Artroscopia: é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, utilizado para diagnosticar e/ou tratar doenças da articulação.
  • Artrodese: fixação cirúrgica da articulação. Alivia a dor mas resulta em perda da função da articulação.

Prognóstico

O prognóstico para o retorno total da função é reservado devido aos grandes danos à cartilagem e a ocorrência de artrose associada.

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