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Instalações para Equinos

Monaliza Nóbrega Por Monaliza Nóbrega em

Para uma criação de equinos, é necessário saber quais instalações necessárias e os cuidados para estabelecer este lugar. É imprescindível que se respeite a natureza do animal, que busque o equilíbrio físico e mental do mesmo; é necessário proporcionar o acesso dos animais aos piquetes, para que eles tenham contato com a natureza e entre eles, já que são animais que vivem em grupo.

Os sistemas de criação variam:

É fundamental que se defina o sistema de criação e o que irá ser levado em consideração.

  • Sistema de criação - intensivo ou extensivo;
  • Disponibilidade de capital ($) - não existe linhas de crédito para criação de equinos e isso traz uma dificuldade para o produtor, pois o mesmo irá ter que custear toda a criação;
  • Número de animais - por exemplo, quantas éguas, quantos garanhões;
  • Valor comercial do animal - será um animal de baixo, médio ou alto valor? Porque se for um animal de alto valor, as instalações deverão condizer com o mesmo;
  • Grau de assistência - quantas vezes o médico veterinário vai à propriedade;
  • Disponibilidade de pastagens - se é de boa qualidade e qual será o tipo;
  • Desempenho dos animais - com relação ao tipo de criação se será animais de esporte ou são para outras finalidades.

Planejamento

  • Quantidade de animais - normalmente define-se pelo número de éguas;
  • Idade em que será realizada a comercialização dos potros - a partir de um ano de idade o potro já pode ser comercializado;
  • Número de garanhões ou aquisição de coberturas de garanhões de outros criatórios
  • Arraçoamento dos animais - deve ter o concentrado, sal mineral, volumoso;
  • Número de funcionários - hoje em dia, é bem difícil encontrar mão de obra boa e bem qualificada;
  • Administração
  • Biotécnicas da reprodução - pelo fato das técnicas serem muito evoluídas são utilizadas somente em animais de alto valor.

Finalidade da criação:

  • Venda e criação de reprodutores e matrizes
  • Animais de esporte
  • Cavalos de serviço
  • Animais para cavalgadas
  • Produção de muares

É preciso definir qual a finalidade e se na propriedade vai ter doma, treinamento para qual determinado tipo de prova, por exemplo, enduro, tambor, laço ou hipismo.

Escolha da Raça

  • Função - escolher as raças de acordo com a finalidade de criação;
  • Adaptação ao local - raças que sejam adaptadas a região;
  • Mercado regional - e que de preferência sejam comercializadas na região.

ARTIFICIALISMO:

O artificialismo da propriedade é algo bem comum, vai desde o portal de entrada até todo o restante das instalações, pois remete certa nobreza; e não há problema nisso, desde que se tenha dinheiro. Porém, é importantíssimo assegurar o bem estar, a segurança e a higiene dos animais, ou seja, desde que isso tudo seja garantido ao animal, à pompa nas instalações está liberada.

FATORES A SEREM CONSIDERADOS NA EQUINOCULTURA:

  • CLIMA - fresco e seco;
  • SOLO - qualidade das pastagens;
  • TOPOGRAFIA - levemente plano
    • mecanização das pastagens para não ter problemas de aprumos
  • ÁGUA - disponível, abundante e limpa.

Sistema Brasileiro de Criação de Equinos

Para começar uma criação de equinos, é necessário construir uma sede, onde ficará o escritório, ou seja, a sala administrativa e também a sala de troféus; a construção principal é a cavalariça, onde ficam os box que os animais serão alojados; o que irá caracterizar será a quantidade de piquetes, como é comum trabalhar com categorias diferentes de animais, por exemplo, égua, égua gestante, égua com potro ao pé, potro desmamado, se faz necessário um piquete para cada categoria; e deve ter perto uma área chamada, unidade de serviço. Na cavalariça, deve ter o local para armazenar o concentrado, o sal mineral, o feno; também uma área para guardar todos os equipamentos.

INSTALAÇÃO PRINCIPAL: CAVALARIÇA

Fatores a considerar:

  • Orientação e acesso - sentido leste- oeste, com pátio embarcador;
  • Disponibilidade de água e energia elétrica - deve ter bebedouro dentro de todos os box;
  • Possibilidade de ampliação
  • Controle ambiental - de vento e luminosidade;
  • Custo e duração do material - se será feito de alvenaria ou madeira;
  • Espaço
  • Ventilação: portas, janela, lanternis
  • Armazenamento de alimentos, cama, equipamentos
  • Segurança: p/ o cavalo e p/ o tratador: sem saliências ou portas e janelas estreitas - existem medidas pré-definidas para segurança do tratador e do animal;
  • Proteção contra incêndio: extintores
  • Flexibilidade: permitir rearranjo: escritório que possa virar baia!
  • Mão de obra

Cavalariças e instalações anexas

  • Apenas os potros acima de 18 meses e durante o período de início do preparo atlético, tanto para os hipódromos como para as pistas, é que devem ser estabulados.
  • As cavalariças serão dimensionadas de acordo com o número de animais.
  • Em criações bem orientadas, tanto as éguas como os potros, desde que disponham de "unidade de serviço” nas áreas de pastagem e adequado programa nutricional, dispensam suas cocheiras.

Na maioria das propriedades, os animais ficam soltos o dia todo e a noite vão para o box que fica dentro da cavalariça, pois não há necessidade dos animais ficarem no box o dia todo, sempre devem ter acesso livre ao piquete. O número de box, dependerá do número de animais.

CAVALARIÇA COM BAIAS

Didaticamente, baia é diferente de box; baia, é um local pequeno onde cabe somente um cavalo, e é na baia que o mesmo terá acesso a alimentação, ficando ali no máximo uns 15 minutos. A baia é utilizada também para manejo em geral.

  • Vantagem: facilidade de manejo e baixo custo
  • Dimensões:
    • largura: 1,50 m
    • comprimento: 2,70 a 3,00 m
    • h: 1,30 a 1,40 m (laterais)

Tipos de baias

  • Alvenaria:
    • É considerado o melhor tipo de baia para cavalos.
    • Mas este tipo de baia se não tiver tamanho e ventilação adequados e contato visual com outros animais, pode ser inadequado ao animal.
  • Madeira:
    • É um tipo de baia bastante rústica, mais barata e que pode ser muito bem utilizada desde que respeitadas as condições básicas de conforto.
    • Pode ser de tábuas, réguas ou mesmo de costaneiras de eucaliptos.
    • Exige uma manutenção maior, pois o cavalo muita vezes fica roendo as tábuas.
  • Galpão:
    • É uma forma mais econômica de se fazer uma baia.
    • Constrói-se um galpão, de madeira ou estrutura metálica, coberta, com paredes laterais (de alvenaria ou madeira).
    • As divisões das baias podem ser de alvenaria, madeira ou mesmo com barras de ferro, apenas para dividir o espaço entre os animais.
    • São bem ventiladas e com ótimo contato visual entre animais.

CAVALARIÇA COM BOX

O box, é um local bem mais amplo, onde o cavalo fica quase o dia todo dependendo da sua categoria. O tamanho do box, depende do tamanho do animal.

  • Dimensões:
    • Box dos garanhões: 4,20 x 4,20 m
    • Box maternidade: 4,80 x 4,80 (até 4,8 x 6,0m) - local onde a égua vai parir.
    • Demais box: 3,50 x 3,50 m – h: 2,70 a 3,00m

CAVALARIÇA

A cavalariça é dividida em box, e existem muitas maneiras de se construir, por exemplo, alvenaria, madeira, podendo utilizar também divisórias, porque caso a criação de equinos não dê certo, retira-se todas as divisórias podendo utilizar o barracão para outros fins.

  • Como fazer a cavalariça?

Pode ser uma disposição simples, onde terá box um do lado do outro, ou, faz um corredor central com box dos dois lados; disposição em L ou U, é comum utilizar essa descrição para mostrar como os box estão posicionados. O box do garanhão é o maior e deve ter acesso a um área verde restrita chamada de padoque. O box maternidade deve abrir pro piquete maternidade, porque a égua que está pra parir tem que ter acesso ao piquete. As outras categorias devem ter acesso à pastagem. Em todos os box deve ter o comedouro e o bebedouro.

  • CORREDOR: no mínimo 4m de largura
  • PORTAS: no mínimo 1,20 a 1,50 m de largura
  • JANELAS: no mínimo a 2 m de h  quando o box é aberto não há necessidade de janelas.
    • evitar incidência de vento diretamente no animal
    • 0,60 m da abertura natural
    • ou usar paredes mais baixas que o pé direito para aumentar a ventilação.

Comedouro

  • Sal mineral: pequeno, nos cantos
  • Concentrado: pequeno (2 a 3 kg)
    • h: 1 m raio: 45 cm
    • profundidade: 25 cm
  • Volumosos: oferecer na manjedoura ou no cocho

Bebedouro

  • ALVENARIA COM BÓIA
  • AUTOMÁTICO: h 1m.
  • BALDE
  • BEBEDOURO COLETIVO:
    • comp. 4,0m x 1,0m h x 0,80m largura
    • redondo, quadrado, como quiser

É importantíssimo ter água limpa, fresca e abundante.

PISO: macio, absorver umidade, não causar problemas de casco

  • PISO DURO: cimento, ladrilho de cerâmica, paralelepípedo
    • necessitam de cama obrigatoriamente
    • facilita o manejo e a higiene
  • PISO MOLE: areia, argila, terra batida: menos rígidos mais absorventes
    • animal pode ingerir areia
    • desnivelamento constante  podendo causar problema de aprumo.

O grande problema de o chão ser de areia é que, o animal pode chegar a comer e isso ocasionará em cólica; pode causar também problema de aprumo, por isso é fundamental que o chão seja de cimento, porém é necessário ter a cama e que a mesma seja limpa e trocada sempre que houver necessidade.

CAMA: macia, seca, plana e absorvente

  • Material: palhas diversas, sabugo de milho, feno picado, bagaço de cana, maravalha/ cepilho, borracha
  • Problema: disponibilidade
  • Camada mínima de 40 cm e reposta periodicamente
  • Dura 3 a 4 semanas
  • Manejo diário: retirada superficial das fezes!

O que mais se usa é a maravalha. Não é preciso usar a cama onde o piso é de chão batido, pois a própria terra é absortiva, porém a grande dificuldade é pelo fato de poder causar problema de aprumo.

Cavalariça

  • ILUMINAÇÃO: lâmpadas de 60 w, dispostas ao longo da construção
  • CONTENÇÃO: argolas chumbadas na parede, a 1,70 m h.
  • DECLIVIDADE DOS BOX: 1,5 a 2,0%
  • INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES – Na cavalariça, além dos box, podemos ter sala para medicamento, para equipamentos, para alimentos, escritório, ou podem estar em outra construção!

OUTRAS INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES

NÚCLEO DE GARANHÕES

  • Isolado das éguas: box (4,2 x 4,2 m),
  • Piquete (padoque) de 8 a 12.000 m2, para exercícios e fonte de verde.
  • Isolar os piquetes com um corredor de 5 m, para evitar brigas!

Os garanhões devem ficar longe uns dos outros. É necessário um box grande com um acesso pra área verde (padoque) para cada garanhão. O ideal é que seja meio afastado um do outro e entre uma cerca e outra, deve também ter uma cerca viva; para que um garanhão não veja o outro.

GALPÃO DE SERVIÇO ou UNIDADE DE SERVIÇO

  • Mínimo de 6 x 6 m, coberto, piso de brita.
  • Pode ser totalmente aberto
  • Usado principalmente para cobertura em dias de chuva
  • Pode estar associado ao laboratório de reprodução

OUTROS

  • BRETE (TRONCO) GINECOLÓGICO: mais estreito que baia!
  • BRETE (TRONCO) P/ RUFIAÇÃO: pequeno muro de tábuas
  • ÁREA PAVIMENTADA: 5 x 5 m ; local p/ banho e tratos gerais
  • FENIL
  • SILOS
  • BALANÇA equipamentos, p/ alimentos, escritório, ou podem estar em outra construção!
  • EMBARCADOURO  caso trabalhe com a comercialização de animais.
  • LAVADOR  a área de banho é junto com a unidade de serviço, onde se tem a mangueira para o banho; o local pode ser coberto ou não.

REDONDEL

  • Local p/ doma racional;
  • Ideal 32 m de diâmetro, pois permite volta de 100 m
  • Camada de 30 a 40 cm de areia
  • Laterais de tábuas, arame, muro de alvenaria ou cerca viva.
  • Quanto maior o isolamento do potro, melhor!
  • Pode ser coberto ou não.

Quando se inicia a doma é necessário começar fazendo com que o potro vá se acostumando com o cabresto; começa girando-o na guia, por volta de 2 a 3 meses já pode se iniciar a doma. Para os potros o melhor é o redondel fechado, para que o mesmo não veja nada e venha a se distrair.

ALOJAMENTO PARA QUARENTENA: Fica isolado, não faz parte do corpo das instalações; o acesso não passa por dentro do haras; é composto por piquete e box.

CERCAS: Para divisão dos lotes por idade, sexo. Geralmente próximo à sede, são de tábuas (melhor apresentação), a 1ª tábua é a 30 cm do chão e depois a cada 30 cm uma da outra, são somente 3 tábuas, porém tem um custo elevado; mais distante são de arame liso (por ser mais barato). Se na propriedade se trabalha com animais de esporte se faz necessário ter uma pista de areia ou grama para o treinamento dos mesmos.

FLUXOGRAMA

  • Garanhões
    • Cavalariças amplas, bem arejadas, com acesso a piquete bem gramado, suficientemente amplo para permitir ginástica funcional diária, cercas duplas e tanto quanto possível as instalações isoladas dos outros animais, inclusive com uso de cercas vivas (uso permanente)
    • tamanho: 4 x 4 m.
  • Instalações adequadas para rufiações e coberturas diárias durante a estação de monta.
    • Localizada próximo as cavalariças dos garanhões e das éguas esperando cobertura.
  • Piquetes para éguas em gestação:
    • permanecem até 5 dias antes do parto, quando são transferidas para os piquetes maternidade.
  • Piquetes maternidades:
    • Piquetes individuais de 1000 a 3000 m2, bem gramados, com abrigo e cuidadosamente cercado.
    • O número de piquetes maternidades depende do número total de éguas.

Piquete Maternidade

  • Individual (1000 a 3000 m2)
  • Coletivo (2 cab/ha)
  • Cerca de régua:
    • Altura = 1,30 m
    • 3 réguas - 1ª régua a 30 cm do solo
    • Distância entre réguas = 30 cm

São duas éguas por piquete. O piquete maternidade está ligado ao box maternidade. A quantidade de piquetes maternidade será maior do que a de piquetes de gestação. As éguas permanecem aproximadamente um 10 dias ano piquete maternidade e depois são transferidas para o piquete de éguas com potro ao pé.

Piquetes para éguas com crias no pé:

  • Piquetes com "creeper" onde as éguas com cria ao pé e fecundadas, permanecem até o final da desmama.

Nesse piquete tem uma área isolada para os potros, é um lugar cercado com comedouros, onde somente os potros podem entrar e sair livremente chamado de creeper. Isso garante que o potro já comece com o consumo de concentrado e volumoso; e o creeper também ajuda a congregar os potros e isso ajudará na desmama. O potro é desmamado aos 6 meses, podendo ser antes dependendo do manejo, então todos os potros desmamados são transferidos para o piquete do potro desmamado. Independente se é macho ou fêmea, são transferidos todos juntos.

Piquetes para potros desmamados:

  • Após desmama, grupos de potros da mesma faixa etária são transferidos para outros piquetes onde permanecem sem separação sexual, do 6º ao 12º mês.

No período de um ano, macho e fêmea ficam juntos no mesmo piquete, após um ano separam-se machos de fêmeas, aonde as fêmeas vão para um piquete e os machos para outro.

Piquetes para potros:

  • Após o 12º mês é realizada a separação sexual; os potros vão para esta instalação, sempre no mesmo grupo já programado anteriormente durante o aleitamento. Podem permanecer por até 18 meses ou mais.

Piquetes para potras:

  • Após o primeiro ano de vida, feita a separação sexual, as fêmeas são destinadas a essa instalação:
    • aí permanecem até os 18 meses, quando destinadas às corridas
    • até 30 ou mais meses quando destinadas a reprodução.

Qualidade do pasto

“Desde o tempo da colonização no Brasil, nas propriedades rurais, os piores terrenos, tanto em relevo como em produtividade, foram legados aos equinos. Exemplo disto é a expressão "Pasto das Éguas", utilizada para discriminar determinando o local da propriedade onde nenhuma atividade, seja ela pecuária ou agrícola, teria sucesso.”

CARACTERÍSTICAS DAS PASTAGENS

  • Boa qualidade, pois diminui o gasto com alimentação
  • Contribui para o equilíbrio psíquico do animal, já que é selvagem
  • Fonte de vitaminas

Divisão das pastagens

Num planejamento racional da criação, as divisões das pastagens devem ser previamente determinadas, por diversos fatores entre os quais podemos citar:

  • Facilitar o manejo dos animais e das pastagens;
  • Evitar a utilização demasiada das pastagens, ou ao contrário, a subutilização
  • Melhor aproveitamento das aguadas;
  • Separar as várias classes de equinos: potros desmamados das mães; éguas prenhes dos garanhões ou rufiões; potrancas jovens dos potros, etc..

CERCAS

As cercas não devem ser de arame farpado, pois os ferimentos provocados pelo atrito com as farpas do arame constituem elemento de acidentes e preocupações indesejáveis, além de ser fator de depreciação do valor animal.

  • Arame liso grosso, ou de aço ovalado e galvanizado que pode ser mais fino.
  • Postes ou mourões devem ser de madeiras duráveis ou então submetidas a tratamentos de conservação, ou postes de cimento armado, os quais são feitos com furos para passagem do arame.

É necessário colocar uma cerca viva na frente do arame para evitar que os animais venham a se machucar.

Cerca de tábua: Apesar de ter seu período de vida mais curto, necessitando de constantes reparos, confere as instalações um aspecto mais agradável em comparação às cercas de arame.

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