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Manejo no Incubatório

Monaliza Nóbrega Por Monaliza Nóbrega em

O matrizeiro é aquele local onde tem a produção dos ovos galados, aqueles que serão transferidos para o incubatório de onde vão sair os pintinhos de um dia. Os matrizeiros, são específicos para matrizes de aves pesadas, semi-pesadas e leves.
As matrizes atingem a maturidade sexual em torno da décima oitava semana, e ficam em torno de 40 semanas botando ovo; o peso dessas matrizes deve ser controlado, mesmo sendo uma matriz pesada, porque a uniformidade do plantel refletir-se-á na uniformidade do ovo; porque, no incubatório, existem equipamentos adequados para um determinado tamanho de ovo.
É necessário, ter um programa de vacinação e de luz em torno de 14 a 17 horas de luz/dia; porque, se as matrizes não tiverem uma boa produção, assim como as poedeiras, elas também são descartadas; inclusive, se for o caso, se faz necessário a muda forçada, podendo ser farmacológico, nutricional ou de manejo. As matrizes são criadas soltas, porém é necessário ter dentro do barracão, poleiro e ninho, para que as aves botem os ovos, porque se não tiver dificultará a coleta dos mesmos. É um ninho para cada quatro aves, e dentro desses ninhos é necessário ter cama. Como as matrizes são criadas soltas dentro do barracão, a maioria dessas aves acaba botando os ovos na cama mesmo.
A coleta desses ovos deve ser feita várias vezes ao dia, porque senão as aves acabam defecando em cima dos mesmos ou até mesmo bicando, podendo quebrá-los. A coleta é feita cinco vezes durante o dia, três pela manhã, porque a produção é maior e duas vezes durante a tarde. Primeiro, coleta-se os ovos que estão sobre a cama, porque geralmente são os mais sujos e depois os ovos dos ninhos; onde são colocados em bandejas, e como são ovos galados, deve ser encaminhado para o incubatório.
O incubatório não fica na mesma propriedade do matrizeiro, porém ambos fazem parte da mesma integradora.
As bandejas com os ovos são transportados por um caminhão até o incubatório, devendo ser transportados com muito cuidado, com velocidade compatível em uma estrada em boas condições.

Recebimento e Sala de Estocagem

Ao chegar ao incubatório o caminhão passa pelo arco de desinfecção. A temperatura dentro do caminhão deve ser de 21°C e para ter certeza de que a temperatura está certa, é necessário aferir a temperatura dentro do ovo, utilizando um termômetro que perfura a casca, aferindo a temperatura interna do ovo. Para cada caminhão que chega se pega as caixas do meio e faz uma pequena amostragem.
Então, descarrega-se o caminhão e leva as bandejas com os ovos para a sala de estocagem; essa sala, também deverá ter a temperatura em torno de 21°C.

Problemas de estoque prolongado:

Os ovos devem ficar nessa sala no máximo até cinco dias, porque quanto maior for o período de estocagem desses ovos, maior será o período de incubação e consequentemente diminuir-se-á a eclodibilidade. E após esse período na sala de estocagem, os ovos são levados para a sala de seleção.

Sala de seleção de ovos

Um operador avalia 40 mil ovos/dia, separando dos ovos bons, os sujos e trincados. Os ovos sujos não são levados para a máquina de incubação, pois são um meio contaminação e proliferação de microrganismo.

Tipos mais comuns de descarte são:

  • Ovos sujos: devido a problemas de manejo no matrizeiro, como cama úmida ou poucas coletas.
  • Enrugados: relacionado a problemas com o útero da ave, provocando a deformação. Afeta a eclodibilidade.
  • Ovos de gema dupla: ocorre por ruptura de dois folículos simultaneamente, liberando duas gemas no oviduto, só é possível ver na ovoscopia.
  • Casca com perfuração: devido ao manejo deficiente, ocasionado pela falta de cama nos ninhos.
  • Ovos com manchas na casca: ocorre quando o material utilizado na cama dos ninhos é de material que desbota quando há umidade.

Ovos rachados, trincados não podem ir pra máquina de incubação, porque é fonte de proliferação de microrganismo e também não haverá o desenvolvimento embrionário. Deve ser feito compostagem, que é um método de descarte.
Ovos pequenos ou grandes demais, também são descartados; porque, no abate os equipamentos são regulados pra um determinado tamanho de frango, se for desigual, não dará certo na linha de abate. Nas máquinas de incubação e nascimento, se o ovo for pequeno demais ou grande demais também haverá problema, por isso é necessário a padronização no tamanho desses ovos.

Problemas da má seleção:

  • Tamanho/peso dos ovos diferentes
  • Idade da matriz - existe uma relação direta entre a idade da matriz e o peso do ovo, depende de dois fatores, da linhagem e idade, quanto mais velha a matriz maior será o ovo.
  • Ovos trincados.

A faixa que apresenta os melhores resultados de incubação fica entre 56 g e 67 g. Não pode ter um pintinho nascendo antes do outro, e nem depois, todos devem nascer no mesmo dia. Na hora em que abre a máquina, tiram-se todos de uma única vez.

Incubação

Após ser feito a seleção, os ovos são postos em bandejas (numa bandeja cabem 96 ovos), no carrinho cabem 36 bandejas e dentro da máquina de incubação cabem seis carrinhos. Nos ovos, marca-se a data da postura e de nascimento (já se sabe o dia de nascimento, devido o controle) e marca-se também o número do lote.
Na natureza, a galinha choca o ovo para aquecê-lo, como tem que simular a natureza na máquina de incubação se faz isso, controla-se a temperatura deixando em torno de 37°C (fase inicial) e na fase de nascimento, deixa a temperatura em torno de 39°C. É necessário ter termostatos, para controlar a temperatura interna da incubadora.

Sistema de viragem dos ovos

Na natureza, a galinha faz a viragem dos ovos, e esse processo também é feito na incubadora, isso é necessário para evitar que o embrião sofra aderência na casca, pois se ficar muito tempo em um único lado, o embrião aderir-se-á na casca e o mesmo não se desenvolverá. Esse processo é bem lento. A higienização da máquina de incubação é realizada após cada transferência para a máquina de nascimento.

Sala de incubação

Os ovos permanecem 18 dias na incubadora, depois são transferidos aos nascedouros por três dias, até o nascimento dos pintinhos, que são sacados, separados por sexo (sexagem), vacinados e expedidos.

Sala de nascimento

Os ovos são transportados em carrinhos metálicos fechados em suas laterais, que ajudam a manter a temperatura interna dos ovos, chegando à sala de nascimento, os ovos são colocados em outras caixas forradas com papelão. Cada caixa cabe 100 ovos. A máquina de nascimento é a de eclosão, deve ser toda controlada. Os ovos permanecem três dias dentro desta máquina, totalizando 21 dias todo o processo de estocagem, incubação e nascimento, ao longo do 21° dia os pintinhos vão nascendo; caso haja algum problema e alguns pintinhos não nasçam, faz-se o refugo. Após, acontece o saque (retirada dos pintinhos); os pintinhos com bico torto, perna torna ou com qualquer outro problema são descartados e vão pra compostagem.

Problemas de nascimento

  • Nascimento precoce: Ao invés de nascer com 21 dias, nasceu com 20, devido à alta temperatura ou pelo fato do ovo ser pequeno demais (ovos pequenos tendem a eclodir mais rápido).
  • Nascimento tardio: pode ter ficado muito tempo na estocagem, ou seja, mais de cinco dias (prejudica a eclodibilidade e desenvolvimento), ou o ovo é muito grande.
  • Umbigo não cicatrizado: temperatura elevada e umidade muito alta.

Após a retirada dos pintinhos da máquina de nascimento é necessário fazer uma higienização, porque depois chegará outro lote.

Sala de coleta e sexagem

Classifica em:

  • Pintos de primeira
  • Pintos de segunda
  • Pintos atrasados

Seleção:

  • Pintos de primeira: apresentam umbigo bem cicatrizado, sem defeitos físicos e ausência de hérnias. E são os que vão para o campo.
  • Pintos de segunda: são eliminados, por apresentarem defeitos como presença de hérnias, má cicatrização do umbigo, refugos e outros defeitos.
  • Pintos atrasados: entende-se por pintinho atrasado, aquele que não tem condições de ser enviado ao campo no momento da coleta. Este pintinho pode ficar no nascedouro mais algumas horas para recuperação e posteriormente selecionada e enviada para o campo.

Sexagem:

Se o objetivo for postura, é necessário fazer a sexagem para diferenciar macho e fêmea; se for de corte, tem que saber se o lote vai ser só de macho, fêmea ou misto. Geralmente, para frango de corte não é necessário fazer sexagem e também nem todo incubatório faz sexagem pra frango de corte.

  • As penas primárias são visivelmente mais longas do que as secundárias em fêmea.
  • Em um macho, as penas primárias e secundárias terão o mesmo comprimento.

Sala de vacinação

Os pintinhos de um dia já vão para o aviário, imunizados contra as principais doenças, são elas: Marek; Gumboro; Bouba Aviária e Bronquite Infecciosa.

  • Os diluentes permanecem em temperatura ambiente (ao redor de 25°C). As vacinas permanecem armazenadas em geladeiras, as quais não devem ultrapassar 5°C.

São administrados 0,2 ml de vacina contra Marek, Gumboro e Bouba aviária pela via subcutânea. A vacina é aplicada no dorso do pintinho. São as três vacinas de uma única vez, e juntamente com as vacinas, aplica-se também um corante que tem a finalidade de identificar os pintinhos vacinados.

Considera-se uma vacinação bem feita quando nos testes de aplicação encontra-se:

  • Bem vacinados: mais que 95% dos pintinhos vacinados. O corante encontra-se na região media dorsal do pescoço, como recomendado.
  • Mal vacinados: menos que 3% dos pintinhos vacinados. O corante encontra-se em outras regiões do tecido subcutâneo (asa, coxa, costas) e na penugem.
  • Não vacinados: menos que 2% dos pintinhos vacinados. Não há presença do corante no tecido subcutâneo.

A vacinação contra bronquite infecciosa é feita por aspersão em cada caixa contendo 100 pintinhos. Após a vacina, os pintinhos já são expedidos para o campo, pois não devem e nem podem ficar no incubatório. São transportados em veículos apropriados.

Biosseguridade

Deve ser feito de maneira adequada. Tem que ter a sala de lavagem das bandejas e carrinhos, e após cada transferência da máquina de incubação ou nascimento, deve ser feito a desinfecção.

  • Amostragem do ambiente: placas de petry para detecção de bactérias totais e fungos.
  • Embriodiagnóstico: avalia onde está o problema através do desenvolvimento embrionário.

O embriodiagnóstico é realizado através da quebra dos ovos que não eclodiram para definir a fase da mortalidade embrionária. A amostragem é a cada 10 bandejas por carrinho, os quais são posteriormente abertos e classificados. Com esse exame é possível avaliar o problema, através do desenvolvimento embrionário.

Guia de problemas

  • Ovos Inférteis: problemas na granja; nutrição.
  • 1°- 3° dia: Baixa fertilidade ou ovos contaminados.
  • 4°- 7° dia: Viragem inadequada; temperatura incorreta.
  • 8°- 17° dia: Bandejas e nascedouros molhados; transferência sem cuidado.
  • 18° ao 20° dia: Ovos trincados durante a transferência; ovos contaminados.
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