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Mercado Equino

Monaliza Nóbrega Por Monaliza Nóbrega em

Histórico

Várias são as teorias e hipóteses do surgimento da espécie equina, tendo como mais comprovada à teoria de que seriam originários da América, de onde teriam emigrado para a Ásia.
O Mesohippus é um antecessor do cavalo moderno. E ao longo dos anos foram surgindo o Eohippus, Mesohippus, Miohippus até chegar ao Equus Caballus.

Classificação Zoológica

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Ordem: Perissodactyla
  • Família: Equidae
  • Gênero: Equus

Importância Econômica

Existem vários segmentos, 55 utilizam o cavalo como hobby e os outros 95% para fins lucrativos, como:

  • Turfe: cavalos para corrida, esportes, provas hípicas;
  • Trabalho: lida ou tração;
  • Medicamentos (soro antiofídico), cosméticos, pincéis (feito com crina de cavalo);
  • Comercialização de reprodutores  existe pessoas que trabalham somente com garanhões;
  • Produção de leite - importante pra comunidade econômica européia;
  • Banco de colostro - importante para potros “órfãos”;
  • Produção de carne - na Europa o consumo de carne equina é muito elevado.

Alguns esportes hípicos são:

  • Adestramento
  • Concurso completo de equitação
  • Salto
  • Enduro
  • Equitação paraequestre
  • Pólo
  • Volteio

O esporte depende muito da raça, por exemplo, as provas para cavalos da raça crioulo são diferentes das provas do cavalo mangalarga, quarto de milha; cada região tem um esporte mais adaptado para o tipo de raça da região. Equitação Terapêutica - É uma terapêutica utilizada para ajudar crianças especiais a desenvolverem equilíbrio, autoconfiança; é datada a mais de 20 anos atrás.

Hoje, o setor no Brasil reúne 5 milhões de animais e movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano. Apesar de 80% dos cavalos no país serem voltados para o trabalho no campo, são os 20% dedicados ao esporte e ao lazer que têm impulsionado o mercado.

  • Usado unicamente como meio de transporte durante muitos anos, os equídeos têm conquistado outras áreas de atuação, com forte tendência para lazer, esportes e até terapia.
  • Uma de suas principais funções, contudo, continua sendo o trabalho diário nas atividades agropecuárias, onde aproximadamente 5 milhões de animais são utilizados, principalmente, para o manejo do gado bovino.

O que envolve o agronegócio do equino?

Deve-se ter na propriedade um setor de selaria, ferrageamento, medicamento, transporte e serviços em geral. Mas, associado a isso tudo, deve-se ter o setor de nutrição com feno de alfafa, um bom fornecedor de tifton, concentrado, aveia e sal mineralizado. Deve-se ter um laboratório, porque se for animais de esporte são realizados exames periodicamente. E também é feito pesquisas; tudo isso é necessário para sustentar este segmento. Mas, depende para qual finalidade se está criando, se é trabalho, lazer ou esporte?

  • Trabalho/Lida: o utilizado no trato com o gado/guarda montada, que também é uma forma de trabalho;
  • Esporte: Provas, concursos;
  • Lazer: Turismo ecológico.

Porém, depois dos animais serem usados nestes segmentos e tornarem-se velhos, por exemplo, os cavalos que foram usados na lida ou pela polícia militar, serão descartados para um frigorífico; se for uma égua ou um garanhão, poderão ser comercializados para o mercado externo, porém se o animal destaca-se no esporte, o mesmo poderá ser vendido como reprodutor.
Este segmento no Brasil, não é tão valorizado quando comparado com bovinocultura e avicultura, isso ocorre devido à falta de mão de obra especializada; os profissionais que trabalham com equinos, devem ser muito bem qualificados, pois os animais são de alto valor e devido a isto, os profissionais não têm a chance de errar, pois caso cometa um erro o prejuízo econômico é muito grande.
Um dos segmentos é utilizar o cavalo para o lazer; antes não se ouvia falar em hotéis fazenda, chácaras, pousadas, e devido à distância que se criou entre o meio rural do urbano, teve então o advento do turismo rural, turismo cultural, turismo ecológico. E em hotéis fazenda, é necessário ter cavalos bons e treinados, pois as pessoas gostam deste tipo de atividade.

Aptidões naturais do cavalo: É um animal impetuoso, corajoso, de alta percepção (o tratador deve ser o mesmo, porque se acostumam muito rápido com a mesma pessoa) e são extremamente sensíveis.

Aptidões naturais da égua: São líderes e sociáveis, aprendem fácil e passam toda a experiência para os filhos e são extremamente ciumentas com o filho.

São animais de fácil adaptação, não é agressivo no sentido predador; é inteligente, com personalidade forte, é da índole dele a característica de ser competitivo, por isso que naquelas corridas quando soltam vários animais um do lado do outro, eles correm ao máximo para estar à frente, pelo fato de terem essa característica. São animais que vivem em manadas; existe hierarquia (sempre tem um líder e um guardião), excelente memória (jamais esquecem o que aprendem).

Equídeocultura

  • O maior rebanho mundial é nas Américas. Em 1975, o rebanho estava em torno de 4 milhões, passou a subir aos poucos, porém fazem 40 anos que o Brasil estabilizou o rebanho em 5 milhões.
  • As pesquisas feitas, são mais relacionadas a manejo, nutrição e a melhoramento. Porém, o que mais se destaca é o número de pesquisas na área de nutrição. Não se tem muitas opções para alimentação de equinos, o mais utilizado é o feno de alfafa misturado com o feno de tifton. O concentrado é mais importante para cavalo atleta, tem várias adequações de acordo com a categoria. Mas, não tem muita oferta de tipos diferentes de alimentos.
  • O cavalo movimenta 16 bilhões por ano. A movimentação de dinheiro está alta, mas o rebanho não, isso nos mostra que estão trabalhando cada vez mais neste segmento.

O rebanho mundial de equinos é de aproximadamente 59.043.839 cabeças:

1) Estados Unidos - 9.500.000 cabeças
2) China - 6.823.360 cabeças
3) México - 6.350.000 cabeças
4) Brasil - 5.496.817 cabeças
5) Argentina - 3.680.000 cabeças

Pelos números da FAO, esses 5 maiores rebanhos do mundo, representam 54% de toda a tropa mundial de equinos.

Brasil

  • Exportação de cavalos vivos:
    • a expansão alcançou 524% entre 1997 e 2009
    • passado de US$ 702,8 mil para US$ 4,4 milhões.
  • O Brasil é o 8º maior exportador de carne equina.
  • Bélgica, Holanda, Itália, Japão e França são os principais importadores da carne de cavalo brasileira, também consumida nos Estados Unidos.

O Brasil exporta os animais vivos com alto potencial genético, por exemplo: o mangalarga marchador.

No Brasil, a região que concentra os maiores rebanhos do país é a Sudeste, logo em seguida aparecem às regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Norte. E, na região Nordeste além de equinos há um grande número de asininos e muares.
O estado brasileiro que concentra o maior rebanho é Minas Gerais. É onde estão localizadas importantes associações brasileiras de criadores de cavalos, como a do mangalarga marchador, campolina, pampa, pêga e pônei. Minas Gerais é o berço dos cavalos, devido à colonização e expedições feitas antigamente.
Existem 5 milhões de cabeças, porém o total de animais registrados é só 700 mil, poucos animais registrados.

Distribuição do rebanho de equinos no Brasil

1) Minas Gerais
2) Bahia
3) Rio Grande do Sul
4) Goiás
5) São Paulo

Os 5 estados com o maior número de equinos possuem 48% de toda a tropa nacional.
Em São Paulo, o rebanho é praticamente metade do rebanho de Minas Gerais. A raça que é criada em São Paulo é diferente da que é criada em Minas Gerais; em SP a concentração de animais é em Presidente Prudente, a raça criada lá é o quarto de milha e em MG é o mangalarga marchador. Cada estado tem um tipo de raça.

  • Entre os desafios para o desenvolvimento do setor equídeo no Brasil está a criação de uma estrutura compatível com as exigências legais do Ministério da Agricultura, que comumente fiscaliza o cumprimento das normas contidas no Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos (PNSE), sobre defesa sanitária animal.
  • Para garantir o fortalecimento da equideocultura nacional, o Ministério da Agricultura investe também na formulação de políticas públicas, como desenvolvimento de linhas de crédito incentiva a acordos internacionais, estudos e pesquisas e apoio e difusão de eventos relacionados ao setor.

De 1970 até 2012, o rebanho se mantém estável. Este segmento rende muito dinheiro, porque se deve considerar o produto interno bruto, são 5 milhões de cabeças, porém só 20% geram lucro, em torno de 16 bilhões. Como somente 20% geram lucro, os outros 80% dos animais estão relacionados com a lida.

Raças mais criadas no Brasil: Raças com maior número de animais registrados

O total de raças criadas no Brasil é: 14 raças brasileiras (quarto de milha, mangalarga marchador e crioulo) e 20 são raças estrangeiras.

Qual a origem da raça mangalarga marchador?

  • Esta raça tem raízes no Brasil e nas tradições das propriedades mineiras.
  • É um cavalo usado por pessoas de todos os níveis econômicos e de fácil acesso ao usuário, tanto pelo seu preço de mercado como pela facilidade de criá-lo.
  • É um cavalo de passeio, rústico, de excelente temperamento e de fácil utilização.

Equinocultura

  • Sua utilização, em tempos modernos, está integrada ao novo conceito de meio ambiente, com o uso voltado para o bem-estar do cavalo e do cavaleiro.
  • Essa nova consciência do homem do século XXI situa o cavalo como um agente de vida saudável, cada vez mais utilizado em atividades esportivas, turísticas, de lazer, na cultura ecológica e equoterapia.

Países com rebanho menor, porém mais ricos, empregam melhor o cavalo em sua economia rural

  • Alemanha: 750 mil cidadãos filiados a clubes de cavalos para um rebanho de um milhão de cabeças.
  • Inglaterra: com grande tradição na área, 2,5 milhões de pessoas participam de esportes de equitação.
  • França: há cerca de 1,5 mil centros equestres e 950 escolas de equitação.
  • Estados Unidos: 11 milhões de pessoas montam regularmente, 40 milhões estão ligados profissionalmente à atividade e à indústria do cavalo.

E no Brasil...

  • A maior dificuldade dos criadores é a falta de informações sobre técnicas de manejo e tecnologias mais adequadas, mão-de-obra especializada, além da falta de pesquisas mais detalhadas sobre a criação de cavalos.
  • A iniciativa de mudar essa realidade parte de empresas privadas ligadas ao setor e em menor parte de órgãos públicos.

Produção de carne

Em alguns países é cultural consumir a carne equina.

  • França: Um dos únicos países que produz cavalos para o abate
    • São animais de tração, abatidos com ± 1 ano de idade
    • MODELO DE PRODUÇÃO DE CAVALOS DE ABATE
  • Consumo direto: Bélgica, Holanda e França: 4,0 kg /ano

Na França, existe confinamento de equino para o abate igual ao que se faz com bovinos. Não é qualquer raça, por exemplo: mangalarga e crioulo não tem tanta deposição de massa muscular e não tem bom rendimento de carcaça. As raças usadas são a de tração, por exemplo: bretão e percheron, pois são animais que podem chegar à tonelada, que possui uma grande deposição de massa muscular, bom ganho de peso, são abatidos com mais ou menos um ano pesando em média 400 kg. Animais específicos para o abate tende a ter uma carne suculenta e macia, ou seja, de ótima qualidade.
Um dos motivos do consumo ter diminuído é o alto custo, ou seja, está com um custo mais elevado do que a carne bovina, por isso a carne de equino está se tornando quase uma iguaria.

  • Brasil:
    • Problemas: Abate de animais velhos, doentes, descarte.
  • Frigoríficos (2008):
    • Santa Fé (PR)
    • Bagé (RS)
    • Bragança (SP)
    • Araguari (MG)
    • Belo Jardim (PE)

O Brasil, sempre exportou carne equina, em alguns anos mais, outros menos. Os países importadores são: França, Bélgica e Itália. O Brasil exporta 6% da carne mundial, ou seja, é também um grande exportador. O destino das exportações do ano de 2005 a 2009, a Alemanha em 2008 comprou, Áustria, Bélgica, Itália também se destacou na compra, França, Japão.
A quantidade de equinos abatidos por mês de 2002 a 2010 chegou a 20 mil equídeos abatidos por mês, ou seja, quase mil cavalos por dia. Quando se fala em produtores de carne equina, a Argentina, por exemplo, tem um grande rebanho e é um grande produtor; o Chile também é um produtor; a China também produz muita carne de cavalo. A Polônia é um grande produtor e exportador, o Canadá; os Estados Unidos de 2007 pra 2008 teve um problema com relação à produção de carne de cavalo para o abate, pelo fato da população ter um contato muito próximo com o equino, os Estados Unidos parou com a produção e exportação de carne de cavalo, então por causa da população não se abate mais equinos. Os Estados Unidos era um grande produtor com grande rebanho e atuava em todos os segmentos, mas hoje o abate de cavalos lá é proibido.

  • Brasil:
    • Tipo - Carcaça: 120 kg
      Exportação: quase 100%
  • Países: Holanda, Bélgica, Japão, Itália e França
  • Produtos: presunto (traseiro), linguiça, almôndega, hambúrguer, carne salgada e defumada, retalhos diversos: salsicha, mortadela e miúdos.

O grande problema do Brasil, é que, não há confinamento de cavalos para o abate, ou seja, os cavalos abatidos são animais velhos, sem nenhum acabamento, sem rendimento de carcaça, ou seja, carne de péssima qualidade.
O frigorífico que abate bovino, também abate equino, porém tira-se um dia todo somente para o abate de equino.
No Brasil, a carcaça é de 120 kg, toda a carne abatida aqui é exportada, ou seja, quase 100%, porém por ser uma carne de baixa qualidade, a mesma é exportada em forma de embutidos.
No Brasil, a lei é clara que se deve constar no rótulo se há ou não presença de carne equina no produto. Não é proibido o consumo, porém não é costume da população consumir a carne de cavalo, não é uma questão cultural como em países da Europa; e também, pelo fato de se ter carne de bovino em abundância com um custo mais baixo.

PR foi campeão de produção de carne de cavalo

  • Aos olhos dos brasileiros, os cavalos são vistos como animais de estimação, de companhia.
  • Porém, em outros países, eles também servem como alimento.
  • No entanto, como não há criação de equídeos para corte, a grande maioria dos animais que vão para abate nos frigoríficos brasileiros são aqueles considerados velhos ou inaptos para a lida.

Exportação paranaense

  • Carne foi exportada para países como França, Bélgica, Itália e Japão
  • O número de animais abatidos e de dinheiro movimentado com a exportação de carne de equídeos no Estado corresponde a mais de 50% da produção nacional.

Abate é parecido com o de bovinos

Dentro de um frigorífico o rigor com o abate, do ponto de vista de higiene e bem estar do animal, é intenso para atender às exigências do mercado europeu. Porém, é necessário mudar toda a cadeia de produção de equino para o abate, porque o problema nãos está no frigorífico, mas sim com o tipo de animal que chega até o mesmo para ser abatido.

Qualidade da carne de cavalo

  • A carne dos equídeos e dos bovinos é muito parecida.
  • A diferença é que a carne de cavalo tem um sabor mais suave, adocicado.
  • Mesmo assim, os brasileiros rejeitam a carne equina.
  • Praticamente toda a produção brasileira é exportada.
  • Um dos poucos estabelecimentos que vendem a carne de cavalo está em São Paulo (SP): R$ 35,00 / Kg

Por que consumir carne de cavalo?

  • Qualidade dietética:
    • Rica em proteínas
    • Baixo nível de gordura intramuscular
    • Baixo teor calórico
    • Alto teor de AGI

Cortes da carne equina

São os mesmos tipos de corte da carne bovina, por exemplo: paleta, alcatra, contrafilé, patinho, coxão mole e filé.

Instabilidade para os frigoríficos brasileiros para os próximos anos:

  • 2007 = proibição do abate de cavalos nos EUA.
  • Reação contrária da população: cavalo é animal de estimação e não com potencial para corte.
  • Com os americanos fora do mercado, a lógica seria crescer, mas na prática não aconteceu isso, a exportação continua para os mesmos países e proporcionalmente na mesma quantidade.

O fato dos Estados Unidos não exportar mais, ajudou somente os países que já tinham uma cadeia produtiva bem organizada.

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