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Princípios em Cirurgias

Jéssica Cristine Por Jéssica Cristine em

Na clínica cirúrgica é importante determinar quais as responsabilidades do médico veterinário cirurgião. A responsabilidade começa quando o animal chega para o atendimento. O médico veterinário deve diagnosticar a causa do problema e reavaliar o paciente antes de operar, para saber se há realmente indicação cirúrgica para aquele caso e restabelecer o animal antes da cirurgia, caso seja necessário. O cirurgião é responsável por aquele paciente até a sua alta plena relacionada com o procedimento cirúrgico, ou seja, após passar o pós operatório e o animal não ter mais nenhum risco de problemas devido a cirurgia.
Outro princípio da cirurgia é que, independente de qual seja a intervenção cirúrgica, haverá riscos ao animal, pois o procedimento em si é uma injúria ao organismo. O risco durante a cirurgia pode ser potencializado ou não diante da capacidade técnica do cirurgião durante as fases do procedimento, ou seja, diérese, hemostasia, manipulação e síntese.
O cirurgião deve abrir e manipular o mínimo necessário para realizar o procedimento, pois quanto maior a manipulação e o tempo cirúrgico, mais complicações podem ocorrer, pois cria potencializadores de risco.
O maior risco dos procedimentos cirúrgicos são as infecções nosocomiais, que são infecções obtidas dentro do âmbito hospitalar. A principal causa do alto índice de infecção na medicina veterinária deve-se a falta de critérios na escolha do protocolo antibiótico, prescrição errada, tempo errado de tratamento, entre outros.

Contaminação x infecção

Contaminação é a presença do agente. Na cirurgia pode ocorrer contaminação de forma extrínseca, devido a limpeza e esterilização inadequada e presença de agentes que não são próprios do paciente, ou intrínseca, com a presença de patógenos próprios do paciente. A cirurgia cria um ambiente próprio para desenvolver os microrganismos que já estavam no hospedeiro, pois cai a imunidade.
Infecção ocorre quando há perda de equilíbrio entre o hospedeiro e os microrganismos, onde o agente passa a ser parasita. Essa perda de equilíbrio pode ocorrer devido ao aumento na população de microrganismos ou porque o microrganismo está em um local do organismo que não é o seu local natural.
Para reduzir o risco de infecção devem ser tomadas as seguintes medidas:

  • Antissepsia: é a diminuição da carga microbiológica de superfícies animadas, como o paciente e o cirurgião.
  • Desinfecção: é a diminuição da carga microbiológica de superfícies inanimadas.
  • Esterilização: é a destruição de todos os microrganismos e só é feita em superfícies não animadas.
  • Assepsia: é a utilização de todos esses processos ditos anteriormente.
  • Profilaxia com antibióticos: para prevenir a infecção não é necessário usar a dose máxima de antibiótico, pode usar uma dose menor dentro da dose terapêutica, pois não há a infecção ainda, é só para impedir a proliferação de microrganismos.
  • Técnica cirúrgica: a técnica asséptica e cirúrgica devem ser corretas para evitar infecção.

Regras da antibioticoterapia/profilaxia:

  • Usar o fármaco correto para determinada bactéria. Em casos crônicos, é necessário fazer cultura e antibiograma para ter uma terapêutica mais específica. Ex: infecções genitourinárias respondem bem a enrofloxacina, infecções ósseas respondem a tetraciclina e infecções de casco respondem a sulfa com trimetoprim ou metronidazol.
  • Usar a dose certa, que pode ser em mg/kg ou UI/kg. Para calcular o quanto de medicamento que irá usar no animal utiliza-se a fórmula: dose X peso / pela concentração do fármaco.
  • Usar a via correta, para isso é necessário conhecer a farmacodinâmica e a farmacocinética do fármaco para saber qual via ele terá melhor ação.
  • Fazer o tratamento no tempo correto, no mínimo por 5 dias.

Controle da dor

Outro aspecto importante na clínica cirúrgica é o controle da dor do paciente. Em alguns casos, se abolir a dor completamente, o animal pode se movimentar muito e não ficar em repouso, o que pode agravar o caso, pois a dor fisiológica é um mecanismo de defesa. Porém vale ressaltar que deve ser controlado a dor patológica, que é a dor que impede o animal de comer, beber e reagir ao ambiente.

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