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RUPTURA DO LIGAMENTO CRUZADO CRANIAL

Luciana Moura Campodonio Por Luciana Moura Campodonio em

A ruptura do ligamento cruzado cranial (RLCC) é uma doença que acomete a articulação femorotibiopatelar produzindo instabilidade e processos degenerativos da articulação. O ligamento cruzado cranial possui a função de prevenir a translação cranial da tíbia, impedindo dessa forma que haja o deslocamento do fêmur e do platô tibial para frente durante o movimento.

A ruptura do ligamento cruzado cranial pode ocorrer em qualquer raça e essa ruptura pode ser parcial ou completa. Quando ocorre ruptura parcial, esta geralmente progride para ruptura completa. A ruptura do ligamento também pode ser unilateral ou bilateral.

Normalmente tem origem traumática ou degenerativa, sendo que a degeneração pode levar ao trauma, pois com o enfraquecimento do ligamento o mesmo fica mais susceptível ao trauma. Além disso, com a degeneração do ligamento, atividades normais repetidas podem levar a ruptura do ligamento. Em animais mais velhos e obesos pode ocorrer a degeneração do ligamento.

As doenças imunomediadas como hiperadrenocorticismo, hipertireoidismo, pênfigo foliáceo e outras, estão relacionadas à degeneração do ligamento, que consequentemente pode provocar a ruptura do ligamento cruzado cranial. A luxação patelar também pode provocar a ruptura do ligamento.

A principal causa traumática e lesão aguda que pode provocar a ruptura do ligamento cruzado cranial são a hiperextensão e rotação interna do membro, que ocorrem quando a pata do animal fica presa em um buraco ou cerca e pode ocorrer também em consequência de saltos.

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PREDISPOSIÇÃO

  • Animais jovens e de raças grandes (pitbull)
  • Pode acontecer em qualquer idade
  • Em gatos é raro, porém quando acontece geralmente está ligado à doença hormonal como o hipotireoidismo

HISTÓRICO

Animais com ruptura de ligamento cruzado cranial apresentam lesões agudas, e estas progridem promovendo a evolução do quadro clínico.

SINTOMAS

Os animais com ruptura de ligamento cruzado cranial apresentam:

  • Início súbito de claudicação (sem a sustentação de peso ou com a sustentação parcial do peso);
  • Animais com lesão crônica apresentam uma claudicação prolongada com a sustentação de peso;
  • Piora da claudicação após exercício;
  • Dificuldade para se levantar e sentar;
  • O animal pode sentar com o membro acometido para o lado de fora do corpo;

Quando há ruptura parcial os estágios iniciais da lesão são difíceis de diagnosticar. Os animais com ruptura parcial apresentam:

  • Inicialmente claudicação leve com sustentação do peso associada ao exercício e esta claudicação na maioria das vezes é revolvida com descanso;
  • Como normalmente a ruptura parcial progride para uma ruptura completa, à medida que o ligamento continua a se romper, a articulação vai se tornando mais instável e com isso a claudicação torna-se mais evidente e não se resolve com o período de descanso.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico para ruptura de ligamento cruzado cranial é feito através do movimento de gaveta/teste de gaveta, compressão tibial e diagnóstico por imagem (artroscopia e raio-x).

Movimento de gaveta/teste de gaveta

O movimento de gaveta é realizado com o animal em decúbito lateral. O dedo indicador deve ser colocado sobre a patela, o polegar deve ser posicionado diretamente atrás da fabela, e os dedos restantes devem envolver toda a coxa. A outra mão deve ser posicionada na tíbia, com o polegar diretamente na cabeça da fíbula e o dedo indicador sobre a crista tibial. Com isso, o fêmur é estabilizado com a primeira mão, e a segunda mão deve mover a tíbia para frente e para trás paralelamente ao plano transversal do platô tibial. A ruptura do ligamento é confirmada pela ausência de uma parada abrupta na extensão cranial do movimento, porém as rupturas parciais não geram o sinal de gaveta cranial em nenhuma posição.

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Compressão tibial

A compressão tibial é realizada com o paciente em decúbito lateral. O veterinário deve se posicionar na parte traseira do animal e segurar o quadríceps distal com uma das mãos, a partir da superfície cranial, para que o dedo indicador possa ser estendido sobre a patela e fique sobre a crista tibial. A segunda mão deve segurar a pata do animal na região do metatarso, na superfície plantar, deixando o membro em mais ou menos 135 graus. Então, o membro deve ser posicionado em extensão moderada e em seguida fazer movimentos de flexão do joelho. Durante esse movimento a mão sobre a articulação, em uma articulação normal, irá sentir pressão da patela no dedo indicador, já se houver a ruptura do ligamento consegue-se sentir a crista tibial avançando para frente.
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Diagnóstico por imagem

O diagnóstico por imagem é muito importante para avaliar se o animal está apresentando ou não degeneração articular, pois se o animal for operado e estiver apresentando degeneração articular, a cirurgia não terá sucesso. O diagnóstico por imagem é feito através da artroscopia e raio-x.

  • A artroscopia é importante para avaliar os meniscos, e promover a retirada do menisco medial tibial (pois quase todos os animais com ruptura de ligamento cruzado cranial apresentam também ruptura de menisco);
  • No raio-x deve ser avaliado se há presença de osteófitos.

TRATAMENTO

O tratamento para a ruptura do ligamento cruzado cranial é cirúrgico e pode ser feito através de três técnicas:

  • Sutura fabelo-tibial: é feita em cães de porte pequeno (até mais ou menos 10 kg)
  • Ostetotomia de nivelamento tibial (TPLO)
  • Avanço da tuberosidde tibial (TTA)

A escolha entre a TPLO e a TTA depende do ângulo do platô tibial e da crista tibial. Se for uma crista tibial alta e o ângulo do platô tibial for menor que 18 graus deve ser feita TTA, e se o ângulo for maior que 18 graus deve ser feita TPLO.

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